sábado, 17 de novembro de 2012

Gabriél Chalita comenta sobre o Filme de Luiz Gonzaga.


Fui assistir ao filme “Gonzaga – De Pai pra Filho”, de Breno Silveira. O filme é genial. Conta a trajetória do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e sua saga na difícil relação com o filho, Gonzaguinha. O pai saiu de Exu (PE) para tentar a vida em outras cidades. Primeiramente, em Fortaleza, onde virou corneteiro em um quartel. E, depois, no Rio de Janeiro, onde, após tentativas fracassadas de tocar tango e valsa, aventurou-se pelo baião.

O filme conta, também, a história de seus amores. Dos preconceitos tantos que sentiu na pele. E narra a história de Gonzaguinha. A mãe morreu de tuberculose e o pai percorreu o Brasil, escravo da canção. O tempo passou. O encontro dos dois compõe a trama maior do filme. A dificuldade de se entenderem. As mágoas. Diálogos doídos. E muitas palavras não ditas. Até que resolvem fazer uma turnê.
É interessante ver como as relações humanas são intrincadas. Essa é uma história de personagens conhecidas. Porém, ela se repete – cotidianamente– nas relações entre pessoas que se amam, mas que têm dificuldade em manifestar o amor.
A família é o primeiro espaço de convivência. E esse espaço é sagrado. Quando a família não supre as necessidades fundamentais de uma pessoa, seu desenvolvimento torna-se mais difícil. Pais precisam entender a importância do diálogo. É compreensível a falta de tempo, mas não é compreensível que, no pouco tempo em que pais e filhos estejam juntos, faltem palavras. Nos restaurantes, é possível ver famílias inteiras usando o celular. Um vendo e-mails, outro passando torpedos, outros jogando games. E nada de palavras.
Esquecemos a poética da contação de histórias. Mesmo em famílias com pais analfabetos, era comum contar histórias para as crianças dormirem. Histórias da própria família ou outras, trazidas pela riqueza da oralidade. É no cotidiano da vida que se forja o caráter de uma pessoa. Cuidemos dessas relações.
Gabriel Chalita é professor, escritor e deputado federal.
Fonte: Jornal “Diário de SP”16/11/2012

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