terça-feira, 19 de julho de 2011

China nomeia terceiro bispo sem aval do papa

Por Sui-Lee Wee

PEQUIM (Reuters) - A China nomeou na quinta-feira um terceiro bispo sem a aprovação do papa, disse o presidente de honra da Igreja estatal, numa notícia que deve tornar ainda mais tensas as relações entre o Vaticano e Pequim.
Joseph Huang Bingzhang foi nomeado pelas autoridades comunistas para comandar a diocese de Shantou, na província de Guangdong (sul), segundo Liu Bainian, presidente da Associação Patriótica Católica Chinesa.

Duas outras fontes disseram, pedindo anonimato, que a sagração do bispo foi feita numa cerimônia pública, com cerca de mil presentes. Uma terceira fonte, ligada ao Vaticano, disse à Reuters que oito bispos leais à Santa Sé acompanharam a cerimônia, atendendo a uma solicitação das autoridades civis.
"Todos eles foram acompanhados pela polícia até o local do evento", disse a fonte. "A maioria dos bispos se recusou e resistiu a ir."
Telefonemas feitos para a igreja de Huang em Shantou não foram atendidos.
A ordenação é mais um capítulo na prolongada disputa entre o Vaticano e Pequim sobre o status da igreja autorizada pelo regime comunista, que vem desrespeitando ordens para não nomear bispos sem a autorização do papa Bento 16.
Estima-se que haja 8 a 12 milhões de católicos na China. Eles se dividem entre os que seguem a Igreja estatal, e aqueles que aderem secretamente à versão leal a Roma.

A fonte ligada ao Vaticano disse à Reuters que Huang pode ser excomungado por aceitar a nomeação, inclusive porque a Santa Sé já havia lhe avisado anteriormente que não o autorizava a isso.

Essa fonte acrescentou que Paul Lei Shiyin, nomeado pela Igreja estatal como bispo da cidade de Leshan no final de junho, já foi excomungado. Em novembro passado, a mesma punição havia sido imposta a Joseph Guo Jiincai, bispo católico da Igreja estatal em Chengde (norte).
A China e o Vaticano romperam suas relações diplomáticas formais depois da ascensão do regime comunista em Pequim, em 1949. Apesar das divergências, as duas partes já mantiveram contatos cautelosos e sigilosos sobre a possibilidade de normalização das relações. Publicamente, o Vaticano critica as "pressões e constrições externas" aos católicos na China.

(Por Sui-Lee Wee, com reportagem adicional de Grant McCool em Nova York)
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