domingo, 5 de dezembro de 2010

O artista e o Servo.


A Verdade expressa em cada canção leva consigo um pedaço de mim, um pedaço do meu espírito que envolve o outro num relacionamento abstrato onde eu dou um pouco de mim e experimento um pouco do outro, por isso a sacramentalidade das canções.

Quando agente canta na igreja tem a finalidade de evangelizar, é o que chamamos de cantar para Deus, mas... é muito mais que isso, quando canto não falo de Deus, mas falo com Deus, minha música mexe com outro, embaralha sua vida, da mesma forma quando agente se apaixona, nossos planos e sonhos mudam de sentido como um barco à vela!

Nossa música tem verdade, não sou contra quem canta ou curte músicas seculares sadias, sem apelações ou que vão contra a nossa fé, na verdade muitas delas até nos ajudam a rezar mais.

Queria partilhar com vocês algumas das minhas experiências:

Não gosto de cantar músicas seculares profissionalmente, mas uma vez cantei num casamento de uma amiga a pedido dela, sabe... é tão estranho, as pessoas nem ligam pro que agente canta, ficam sempre comendo, bebendo, conversando, que adianta falar sobre a minha vida numa das canções o povo não está nem ai! Só algumas vezes aplaudem e pronto, a música sacra mexe com a vida do outro e me faz entrar nela.

Outra vez fui chamado pelo meu irmão para ajudá-lo, ele faz voz e violão em barzinhos, eu fui pensando em ganhar um dinheiro estava precisando, ganhar um dinheirinho para cantar umas duas horas não é tão difícil. Senti-me como no casamento, é ruim, e pior me senti como se estivesse me

prostituindo, é bem estranho.

Descobri ai que meu canto era verdadeiro, pois eu só canto o que vivo, aprendi assim, ele é puro, não falo de traição, nem de estar com uma mulher gostando de outra, etc, isso não faz parte da minha vida, pra quê cantar isso, não tem verdade, não sou eu.

O canto é desabafo da alma, é uma coisa linda demais, é santo, sagrado, especialmente o meu canto, que reflete meu amor por Deus, não canto por cantar, nem componho qualquer coisa, por isso meu canto não pode ser vendido, é caro demais para ter preço, ninguém jamais ousaria paga-lo, também quero dizer que não acho errado quem canta em barzinho, eu mesmo canto

algumas músicas em casa mesmo com meu violão que não são da igreja, é uma profissão como outra qualquer desde que não fira minha fé.

Mas acho a música sagrada demais, por isso minha música não tem preço, porque eu ela somos um só, ou pelo menos ela é uma parte de mim!

Cuidado pois mesmo as vezes cantando para Deus agente tem a estranha mania de querer imitar outros, nisso não há verdade, nem vida ! essa música é um lixo!

É inevitável não prolongar o texto, porém queria citar uma coisa ainda: Num certo dia estávamos num encontro de jovens, saímos de casa às 5:30hs, e retornamos às

22:30, ficamos durante todo dia num palco canto, ajudando nas palestras, animando

nos intervalos, as vezes os meninos cochilavam nos violões, não os culpo, mas isso me fez perceber que não sou artista, sou servo, e o servo se faz de artista para agradar o seu senhor, mas só porque o ama, artista por acaso toca o dia todo? Ou carrega caixas de som, e palco depois do show? Hum! Acho que não! Artista recebe pelo que faz, e tem um contrato lem

brando

de fazer apenas 2hs de show, nós somos peões que trabalham todo o dia por amor a evangelização, dois meninos que tocaram conosco neste encontro, quando os conheci nem sabiam pegar num violão, agora foram um dos melhores tocadores com os quais já toquei, pois eles dão a vida pelo bem da evangelização especialmente dos jovens, e fazem isso sem reclamar, sempre prontos, cheios de amor e santidade, eu não tenho banda, mas faço mais “show” que muita gente, porque onde eu caminho tenho sempre amigos prontos para tocar comigo sem cobrar nada, esses são verdadeiros servos, gente que gasta gasolina de moto e carro, que perde o fim-de-semana, que deixa de ficar com a namorada para cair na estrada a hora que for, esses são os músicos de Deus, como diria padre Jonas, Músicos em ordem de batalha!

Braços!

Sem. Georje Gonçalves!

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