quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entevista com Bispos




Dom Bernardino Marchió - bispo de Caruaru/PE

"Alegres na esperança"
BC: Dom Dino, como nasceu sua vocação?
Dom Dino:Nasci na Itália e minha família era muito católica. Pensando em minha vocação não encontro fatos extraordinários. O fato mais extraordinário é minha família sempre viver sua fé. Lembro-me, por exemplo, no dia em que meu pai morreu - eu tinha oito anos - que ele tinha passado a manhã toda na Igreja, onde prestava os seus serviços voluntários. Foi nesse clima de fé que cresci e, com onze anos, entrei no Seminário. Fiz toda minha formação no Seminário da Diocese de Saluzzo e, com vinte e quatro anos, fui ordenado padre.
BC: O senhor é sacerdote diocesano?
Dom Dino:Sim, sou padre diocesano. Sempre pensei que, sendo padre diocesano, eu devia trabalhar na Diocese, mas depois de alguns anos de sacerdócio, de repente, senti como que uma inquietação, não porque eu estivesse em crise, pois estava muito bem onde eu estava. Porém, a inquietação era essa: será que eu, como sacerdote, devo ficar aqui amarrado a uma localidade pequena onde tem muitos padres? Será que eu não poderia dar mais à minha Igreja? Foi aí que comecei a pensar numa vida missionária. Nossa Igreja, na Itália, tem muito forte essa dimensão de servir a Igreja além das fronteiras. Então, coloquei-me à disposição do bispo e ele achou por bem me enviar para o Brasil. Vim com todo entusiasmo e encontrei uma situação muito difícil. Imagine sair da região do norte da Itália e chegar no Nordeste do Brasil. Encontrei muitos homens e mulheres sofredores, encontrei crianças na rua. Encontrei muita gente sofrendo, quase com uma espécie de escravidão. Isso não diminuiu meu entusiasmo, ao contrário, fez com que eu me dedicasse mais ainda a esse trabalho. Foram anos de muita missão, de muita evangelização, de conquista de amizade no meio daquele povo. Aos poucos, o trabalho foi amadurecendo para o lado social. Aí comecei com uma obra para crianças de rua e, depois, me liguei também a uma outra obra maior, a Fazenda da Esperança, que tem sua sede na cidade Guaratinguetá/SP.
BC: E largar tudo isso para ser bispo?
Dom Dino:Lembro que, no mesmo dia que recebi a carta de nomeação para bispo eu deveria dar uma resposta e escrevi na minha carta: "Vim da Itália para servir a Igreja no Brasil e se agora a Igreja do Brasil está precisando de um Bispo, estou disponível, estou pronto para partir". E, fui para Pesqueira/PE. Aquela obra social com meninos de rua teve continuidade com um sacerdote também vindo da Itália. A outra obra social que eu trabalhava, a Fazenda Esperança, com a recuperação de drogados, esta não deixei até hoje, ela continua. Quando cheguei na Diocese de Pesqueira/PE, encontrei um povo muito religioso. Muitos leigos e leigas que se dispuseram a renovar esta Igreja. Tenho no meu lema de bispo, a expressão de São Paulo: "Sejam alegres na esperança". Levei para essa Diocese um pouco desse programa: ser alegre na esperança! Eu acredito nesta dimensão fundamental da vida cristã que é a esperança, o otimismo, a fé em Jesus Cristo.
BC: O senhor vê com esta mesma esperança os meios de comunicação a serviço da Igreja?
Dom Dino:Os meios de comunicação são meios técnicos, dependem do uso que fazemos. A televisão, rádio, jornais, internet, têm um potencial muito grande para a evangelização. Se encontrarmos missionários evangelizadores que acreditam na força destes meios de comunicação, eles se tornam meios de transmissão da fé, meios de transmissão da Palavra de Deus. Só para contar um exemplo, agora estou na diocese de Caruaru/PE e em Caruaru há uma filial da Rede Globo. Toda semana eu dou no sábado à noite, nos intervalos da novela, uma mensagem de dois minutos, no horário nobre. O povo de Pesqueira/PE que não me vê muito pessoalmente, agora diz: "Antes o víamos quando o senhor quando vinha nos visitar. Agora toda a semana vemos o senhor e ouvimos sua palavra pela televisão". Citei isso para dizer da força do meio de comunicação.
BC: Nestes dois minutos o senhor já "produziu frutos"?
Dom Dino:Já, sem dúvida, porque em vez de assistir só a novela, no intervalo vai a Palavra, sobretudo àquele povo que não vai muito à Igreja, mas assiste televisão. Agora, a respeito dos meios de comunicação, sou a favor de aproveitar tudo que aparece e valorizar. Deus se serve da inteligência do homem para fazer muitas coisas.
Rep: Sempre que ligamos a televisão nos deparamos com catástrofes, guerra, corrupção e muito mais... O que o senhor diz aos nossos leitores, para sermos construtores de uma sociedade mais justa?
Dom Dino:Em primeiro lugar, tudo aquilo que vemos na televisão não é a totalidade das notícias. O trabalho de Deus nas pessoas, nas comunidades é um trabalho muito profundo que não chama atenção dos meios de comunicação. Assim, devemos olhar o que a televisão apresenta com um espírito crítico. Tenham sempre um espírito crítico perante as notícias. Não sejam ingênuos perante as realidades do mundo. Sejam sempre críticos, leiam mais. Na televisão, não se acostumem a ver o jornal só de uma emissora, vejam de outros canais também.
BC: Por favor, destaque um dos pontos positivos da Igreja católica, em sua opinião.
Dom Dino:O desejo de comunhão que existe dentro da Igreja.O homem é feito para se comunicar, não para se isolar e, a Igreja se comunica através da evangelização, da catequese, da liturgia, dos Sacramento, dos símbolos e de tantos gestos de caridade. Por exemplo, os trabalhos sociais com aidéticos, com doentes, com meninos de ruas. O bonito da Igreja é exatamente este comunicar. Comunicar a esperança, provocar a comunhão, a união entre as pessoas. Quando se faz uma sondagem sobre a credibilidade das instituições, a Igreja Católica está em primeiro lugar. É sinal que estamos comunicando a comunhão que existe no Pai no Filho e no Espírito Santo.
BC: É por isso que o senhor não deixou aquele trabalho junto aos ex-drogados?
Dom Dino:Sim, é um trabalho extraordinário. Nasceu em 1983, em Guaratinguetá/SP, numa paróquia em que o pároco e um paroquiano decidiram atender algumas necessidades da paróquia e o trabalho foi tomando vulto. Eu tinha o desejo de fazer algo concreto para essa situação de jovens. E, port força das circunstâncias, um padre italiano que veio visitar aquela paróquia e não sabia falar Português, pediu que eu fosse até lá como intérprete. Assim, acompanhando, me interessei e hoje já estamos celebrando vinte anos da Faz.

SOU FÃ DESSE CARA!

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